Hospital de Xanxerê realiza primeiro implante de válvula aórtica pelo SUS no Oeste
O Hospital Regional São Paulo (HRSP), de Xanxerê, realizou nesta semana o primeiro Implante Percutâneo de Válvula Aórtica (Tavi) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O procedimento foi realizado na segunda-feira, dia 13, depois que, em outubro de 2025, a Secretaria de Estado da Saúde habilitou a instituição - em Alta Complexidade em Cardiologia, por meio da Portaria de Autorização nº 1.324/2025 - permitindo a execução do Tavi. Com isso, o HRSP passou a ser o único hospital da região Oeste a ofertar o procedimento através do SUS.
Considerado de alta complexidade, o Tavi é indicado para pacientes com estenose valvar aórtica grave, uma doença que compromete a saída do sangue do coração, podendo provocar sintomas como cansaço, dor no peito, desmaios e, em casos mais graves, levar à insuficiência cardíaca e risco de morte súbita. Um dos principais benefícios do procedimento, é a técnica minimamente invasiva, que dispensa a cirurgia aberta.
De acordo com o médico cardiologista hemodinamicista do HRSP, Elias José Perin Conti, o procedimento representa um avanço significativo na assistência à saúde. “A Tavi é um implante valvar aórtico realizado por via percutânea. A gente acessa pela artéria femoral e consegue substituir a válvula do paciente sem a necessidade de abrir o peito”, explica.
O especialista destaca que a indicação do procedimento é bastante específica, sendo direcionada principalmente a pacientes idosos com alto risco cirúrgico. “São pacientes que apresentam estenose da válvula aórtica e que, muitas vezes, não têm condições clínicas de enfrentar uma cirurgia convencional. Por isso, a Tavi surge como uma alternativa segura e eficaz”, afirma.
O procedimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por cardiologista clínico, hemodinamicista e cirurgião cardíaco. Segundo Elias, essa integração é fundamental para garantir a segurança e os bons resultados. “É um procedimento amplo, que exige planejamento e precisão, mas que apresenta excelentes desfechos clínicos”, ressalta.
Um dos principais benefícios da técnica é a recuperação mais rápida do paciente. “Em muitos casos, conseguimos evitar até mesmo a anestesia geral. Isso reduz os riscos e possibilita uma alta hospitalar precoce”, pontua o especialista.
A primeira paciente atendida pelo SUS no HRSP foi uma mulher de 76 anos, que passou pelo procedimento com sucesso no final de semana. Ela apresentou boa evolução clínica e já recebeu alta hospitalar. “A recuperação foi muito satisfatória e dentro do esperado para esse tipo de procedimento”, informa o médico.
O diretor administrativo do HRSP, Fábio Lunkes, analisa que a implantação do serviço representa um avanço expressivo no acesso à saúde de alta complexidade na região.
“Até então, pacientes que necessitavam deste procedimento, precisavam aguardar para a realização na grande Florianópolis ou arcavam com custos elevados na rede privada. É um procedimento extremamente caro, que muitas vezes não era acessível. Agora, com a oferta via SUS, conseguimos atender pacientes que realmente precisam e não tinham alternativa. É um ganho enorme para toda a região”, disse Lunkes.
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